Um Brasil que ainda é preconceituoso

Publicado: 03/05/2012 em Sem categoria

O médico psicanalista Heverton Octacílio de Campos Menezes, 62 anos, acusado de racismo pela atendente Marina Serafim dos Reis, 25 anos, no último domingo (29/4), foi intimado a depor nesta manhã (3/5). Ele foi identificado graças ao sistema de vigilância do shopping. Em entrevista ao Correio Brasiliense, ele negou as acusações de discriminação racial.

É impressionante a constatação de que em um país como o Brasil, ainda haja preconceito, discriminação ou racismo. Apesar de se tentar provar o contrário, há muitos relatos de pessoas discriminadas não só pela cor da pele, mas por causa de religião, opção sexual, etc. A cor da pele parece que fala mais alto em todos os setores da sociedade. A expressão “Negro de alma branca”, usada pelo apresentador Paulo Henrique Amorim para se referir ao competente jornalista Heraldo Pereira, não cabe mais em nosso vocabulário, mesmo negando que não tinha a intenção de ofender, Paulo Henrique foi condenado pela justiça a se retratar. 

O Brasil já deu passos importantes no sentido conscientizar os cidadãos sobre a igualdade de direitos, mas, decisões como a do Supremo Tribunal Federal (STF), que aprovou no último dia 26 de abril a adoção de políticas de cotas raciais em instituições de ensino superior, ainda geram muitas polêmicas, há quem defenda que a instituição de cotas para negros nas universidades já se configura como discriminação.

De acordo com o ministro Joaquim Barbosa, único negro entre os que votaram, “essas medidas visam combater não somente manifestações flagrantes de discriminação, mas a discriminação de fato, que é a absolutamente enraizada na sociedade e, de tão enraizada, as pessoas não a percebem”, reportou o G1.

Apesar de o Brasil ser um país miscigenado, os casos de preconceito ainda são preocupantes, o jornalista e professor Jeso Carneiro também comemorou a decisão. Em seu blog, ele afirmou que

O STF (…) honrou sua importante missão de defender a supremacia da Constituição. A decisão da corte máxima do país é uma vitória de toda a sociedade brasileira, especialmente do movimento negro, que, desde a década de 1980, vem defendendo com firmeza a aplicação de ações afirmativas para combater o racismo e a exclusão social dos negros neste país.

Agressão verbal

O médico que ofendeu a atendente do cinema, parece não ter consciência de que uma agressão verbal às vezes machuca mais do que uma agressão física. Qualquer que seja a desculpa que se dê nesses casos, não consegue reparar os danos causados, que não ferem o corpo, mas deixam marcas profundas na alma.

Sabor de fel

Publicado: 23/08/2010 em Pare e Pense
L. Rogério
                           Desde criança sempre tentei justificar meus posicionamentos com relação a tudo na vida. Certa vez levei uma surra do meu pai (a única que me lembro) por não ter ido à escola. A justificativa: eu não tinha uma borracha. Desde então, percebi que precisava ser mais convincente em minhas justificativas (rs).                            Porém, tenho procurado cada vez mais evitar as justificativas daquilo que creio e confesso – ou como diria meu pai: “ficar polemizando as coisas”. Não preciso provar que Deus é Deus – Ele não precisa da minha ajuda pra isso. Não preciso provar que Deus me abençoa por causa do Seu santo nome – e não do meu. Na verdade, cansei da tentativa inútil de explicar que Deus não é Papai Noel e que não me abençoa por minhas atitudes! Nada que eu fizer O fará me amar mais, e nada do que eu deixar de fazer o fará me amar menos.Porém, com a graça de Deus, jamais deixarei de pregar aquilo que creio e de refutar esse evangelho cínico da “egolatria” (II Tm. 3.2). Pregações e músicas que deixam bem claro a centralidade do homem na adoração. Sutilidades do capitalismo disfarçado de fé. Satisfação pessoal, sucesso e fama são os objetivos do tal evangelho da prosperidade, que quando não está às claras vem camuflado na “busca da sua vitória”.

Frases como “quem tem promessa não morre” ilustram bem essa ala triunfalista de crentes. Além disso, destoam completamente do livro de Hebreus que deixa bem claro que toda aquela Galeria da Fé “morreu sem receber o que tinha sido prometido” (Hb. 11.13). Também é comum ouvir-se que “Deus mata pra te dar vitória” daqueles que se alistaram nesse Evangelho Talibã. E mais, esse bando de crentes mimados, que ao menor sinal da negativa de Deus ameaçam colocá-Lo na parede, rasgar cartão de membro, rasgar a Bíblia… que rasguem as suas roupas em sinal de humilhação e lamento por tanta bobagem que tem sido lançada ao povo de Deus, que muitas vezes é composto de gente tão humilde, quase incapaz de perceber tais ciladas.

Se está em jogo a valorização do ser humano, ninguém melhor do que Jesus para nos ensinar o quanto nosso Deus nos ama. A morte de Cristo na cruz é suficiente para me dizer o quanto Ele valoriza o ser humano, mas nada, nem ninguém pode distorcer o evangelho e colocar “você no palco”. Aliás, como Zaqueu, quero descer o mais rápido que eu puder só para estar com Jesus, afinal, Zaqueu não conseguiu chamar Sua atenção – o Mestre simplesmente parou, olhou e disse: “Desce, Zaqueu!”. Por isso é que não consigo esquecer o texto do meu amigo Franko Júnior quando ele cita o Salmo 50.21 “…Pensavas que eu era teu igual?”

Não, meu amigo… nosso lugar não é no palco! Nosso lugar é mesmo na plateia, com todos aqueles que creem que Jesus é o Astro. A Bíblia diz que “dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a glória para sempre! Amém” (Rm. 11.36). Aliás, imaginar alguém no palco dizendo: “Aí, tá vendo, seus ‘troxas’, quando eu estava na prova ninguém quis me ajudar, né? Agora vocês vão ter que aplaudir a minha vitória!” – não me parece algo que glorifique ao Senhor. Penso que quando o Senhor Jesus me abençoa, o propósito principal de Sua ação é trazer glória ao Seu nome – não ao meu.

“Adorai o Rei do Universo! Terra e Céus cantai o Seu louvor” diz-nos o hino 124 da Harpa Cristã. Parece-me que esse compositor entendeu a essência do louvor e adoração. Ministros de adoração, líderes de louvor, dirigentes de culto, crentes… vamos centralizar a Cristo em nossa adoração. Não permita que o homem seja colocado no palco, precisamos tirá-lo de lá. No palco, o crente que acredita que Deus está no Céu à sua disposição, pronto a atender seus desejos e caprichos, tem realmente a ilusão de que “é o cara”, que arrebenta, que vence, que destrói todos os seus inimigos (mesmo que esses sejam, na verdade, seus irmãos na fé). É por isso que ele tem “cara de vencedor” (e alguém me mostre, pelo amor, como é isso???).

Chega! Chega de “massagens do ego”. Sim, eu quero que as pessoas vejam Jesus brilhando em mim, mas, como disse Jesus, para que “assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mt. 5.16) e não para que alguém se sinta diminuido ou arrependido de não ter me ajudado quando precisei. A vingança pertence ao Senhor (Dt. 32.35). Creio que quando sou abençoado, todos ao meu redor também são alcançados. Não quero ser a atração da festa. Não quero estar no palco, pois creio que Deus “escolheu o que para o mundo é insignificante… a fim de que ninguém se vanglorie perante Ele” (I Co. 1.28,29).

Sim, tenho que admitir: minha vitória tem sabor. Tem sabor amargo. Tem sabor de fel. Minha vitória tem sabor de sangue! Sangue carmesim derramado na cruz pra me dar vitória sobre o pecado. Sangue que purificou-me de minhas iniquidades e trouxe-me das “trevas para a Sua maravilhosa luz” (I Pe. 2.9), onde posso ver todas as armadilhas do diabo, que quer fazer-me acreditar que mereço estar no palco.

Jesus, a Ti a honra, a glória e o louvor para todo sempre. Amém.

Publicado em Escola de Adoração e divulgado no Genizah

Certo pastor estava buscando levar a igreja à prática da comunhão e da devoção experimentadas pela igreja primitiva (conforme descrita em Atos dos Apóstolos). Logo recebeu um comunicado de seus superiores: “Estamos preocupados com a forma como você vem conduzindo seu trabalho ministerial. Você foi designado para tomar conta dessa igreja e a fez retroceder, pelo menos, uns 40 anos! O quê está acontecendo?”. O pastor respondeu: “40 anos? Pois então lamento muitíssimo! Minha intenção era fazê-la retroceder uns 2.000!”.

Atualmente temos acompanhado um retrocesso da vivência e prática cristãs. Mas, infelizmente, não é um retrocesso como o da introdução acima. Algumas das verdades cristãs têm sido negadas na prática. Como diz Caio Fábio, muitos de nós somos “crentes teóricos, entretanto, ateus práticos”. Segue-se uma pequena lista dos top 10 das verdades que pregamos (na teoria) acerca das mentiras que vivemos (na prática):

I – “SÓ JESUS SALVA” é o que dizemos crer. Mas o que ouvimos dizer é que só é salvo, salvo mesmo, quem é freqüente à igreja, quem dá o dízimo direitinho, quem toma a santa ceia, quem ganha almas para Jesus, quem fala língua estranha, quem tem unção, quem tem poder, quem é batizado, quem se livrou de todo vício, quem está com a vida no altar (seja lá o que isso signifique), quem fez o Encontro, etc e etc. Resumindo: em nosso conceito de salvação, só é salvo aquele que não me escandaliza.

II – “DIANTE DE DEUS, TODOS OS PECADOS SÃO IGUAIS” é o que dizemos crer. Mas, diante da igreja, o único pecado é fazer sexo fora do casamento. Quando um irmão é pego em adultério, é comum ouvirmos o comentário: “O irmão fulano caiu…”. Ou seja, adultério é visto como uma “queda”. Mas a fofoca que leva a notícia do adultério de ouvido a ouvido é permitida (embora, na Bíblia haja mais referências ao mexeriqueiro do que ao adúltero). Estar com o nome ‘sujo’ no SPC é permitido, embora a Bíblia condene o endividamento. Ser glutão é permitido, a ‘panelinha’ é permitida, sonegar imposto de renda é permitido (embora seja mentira e roubo), comprar produto pirata é permitido (embora seja crime) construir igreja em terreno público é permitido (embora seja invasão).

III – “AUTOFLAGELAÇÃO É SACRIFÍCIO DE TOLO”, é o que dizemos crer. Condenamos o sujeito que faz procissão de joelhos, que sobe escadarias para pagar promessas. Ainda assim praticamos um masoquismo espiritual que se expõe em frases do tipo: “Chora que Deus responde”; “a hora em que seu estômago está doendo mais é a hora em que Deus está recebendo seu jejum”; “quando for orar de madrugada, tem que sair da cama quentinha e ir para o chão gelado”; “tem que pagar o preço”.

IV – “ESPÍRITO DE ADIVINHAÇÃO É DIABÓLICO” é o que dizemos crer, mas vivemos praticando isso nas igrejas, dentro dos templos e durante os cultos!
– Olha só a cara do pastor. Deve ter brigado com a esposa.
– A irmã Fulana não tomou a ceia. Deve estar em pecado.
– Olha o irmão no boteco. Deve estar bebendo…
– Olha só o jeito que a irmã ora. É só para se amostrar…
– Olha a irmã lá pegando carona no carro do irmão. Hum, aí tem…

V – “DEUS USA QUEM ELE QUER” é o que dizemos. Mas também dizemos: Deus não pode usar quem está em pecado; Deus não usa ‘vaso sujo’; “Como é que Deus vai usar uma pessoa cheia de maquiagem, parecendo uma prostituta?”.

VI – “DEUS ABOMINA A IDOLATRIA” dizemos. Mas esquecemos que idolatria é tudo o que se torna o objeto principal de nossa preocupação, lealdade, serviço ou prazer. Como renda, bens, futebol, sexo ou qualquer outra coisa. A questão é: quem ou o quê regula o meu comportamento? Deus ou um substituto? Há até muitas esposas, por exemplo, que oram pela conversão do marido ao ponto disso tornoar-se numa obsessão idolátrica: “Tenho que servir bem a Deus, para ele converter meu marido”; “Não posso deixar de ir a igreja senão Deus não salva meu marido”; “Preciso orar pelo meu marido, jejuar pelo meu marido, fazer campanhas pelo meu marido, deixar de pecar pelo meu marido”. Ou seja, a conversão do marido tornou-se o objetivo final e Deus apenas o meio para alcançar esse objetivo. E isso também é idolatria.

VII – A BÍBLIA É A ÚNICA REGRA DE FÉ E PRÁTICA CRISTÃS
…Eu sei que a Bíblia diz, mas o Estatuto da Igreja rege…
… Eu sei que a Bíblia diz, mas nossa denominação não entende assim
… Eu sei que a Bíblia diz, mas a profeta revelou que é assim que tem que ser
… Eu sei que a Bíblia diz, mas o homem de Deus teve um sonho…
…Eu sei que a Bíblia diz, mas isso é coisa do passado…

VIII – DEUS ME DEU ESTA BENÇÃO!
…mas eu paguei o preço.
…mas eu fiz por onde merece-la.
…mas não posso dividir com você porque posso estar interferindo na vontade de Deus. Vai que Ele não quer que você tenha… Se você quiser, pague o preço como eu paguei.

IX – NÃO SE DEVE JULGAR PELAS APARENCIAS. AS APARENCIAS ENGANAM – mas frequentemente nos deixamos levar por elas para emitirmos nossos juízos acerca dos outros. Julgamos pela roupa, pelo corte de cabelo, pelo tamanho da saia, pelo tipo de maquiagem (ou a falta dela), pelo jeito de andar, de falar, pelo aperto de mão, pela procedência. Frequentemente, repito: frequentemente falamos ou ouvimos alguém falar: “Nossa! Como você é diferente do que eu imaginava. Minha primeira impressão era de que você era outro tipo de pessoa”.

X – A SANTIFICAÇÃO É UM PROCESSO DE DENTRO PARA FORA (é o que dizemos) – na prática não basta ser santo, tem que parecer santo. Se a tal ‘santificação’ não se manifestar logo em um comportamento pré-estabelecido, num jeito de falar, andar, vestir e de se comportar é porque o sujeito não se ‘converteu de verdade’.

Fonte: Gosto de Ler

Você já conhece o Orkulto?

Publicado: 02/07/2010 em Pare e Pense
O vídeo abaixo está circulando na Internet há algum tempo. Ele mostra claramente um “pregador” enganando o povo de Deus. Mas o que me chama a atenção é que estamos em um tempo em que os crentes — inclusive os pastores — não sentem mais falta da exposição da Palavra de Deus. Qualquer um que berre ao microfone, “revele pelo Orkut”, pule, sapateie, dance ou conte piadas tem mais prestígio que um expoente das Escrituras.

Muitos riem, ao ver o Orkulto abaixo. Mas o meu coração chorou, ao observar tanta gente sincera, necessitada, sendo enganada… O povo de Deus perece por falta de conhecimento (Os 4.6). Está na hora de os obreiros chamados pelo Senhor tomarem uma posição… O julgamento começa pela casa de Deus (1 Pe 4.17).
Com temor e tremor,

Ciro Sanches Zibordi

 

Francisco Helder Sousa Cardoso

Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. (João 15.7 NVI)

 

“Cabummm”! Com estas palavras mágicas, candidatos a feiticeiros e super-heróis evangélicos têm prometido mover céus e terra através da fé. Cura de doentes terminais, conquista de amores impossíveis, eleição para cargos do alto escalão político, enriquecimento relâmpago: tudo é possível de se alcançar. O inacreditável está a um passo de nós.

Cristãos mais ortodoxos e tradicionais retrucam, alegando exageros nesta interpretação. Neopentecostais revidam, defendendo uma observação literal da passagem em debate. Cá entre nós, parece que os apimentados neopentecostais tem boa dose de razão. Note que o texto é claro: “Vocês pedirão o que quiserem, e lhes será concedido”.

Mas, espere um pouco. As palavras anteriores do mesmo texto exigem uma nova interpretação da passagem. Elas afirmam que “Se nós permanecermos em Cristo, e Suas palavras permanecerem em nós, pediremos o que quisermos, e nos será concedido.” (João 15.7, adaptado).

O texto é claríssimo. Tudo o que pedirmos a Cristo nos será dado. Só que não para por aí. O melhor está nas entrelinhas da mensagem. Lamento jogar água nas labaredas da interpretação neopentecostal, mas precisamos mirar nossos olhos na essência da mensagem do Mestre.

O que acontece é que quando nós permanecemos em Cristo, e as suas palavras permanecem em nós, a qualidade dos nossos pedidos muda. E como muda! Quando nos alimentamos dia e noite da Palavra de Deus, e quando Cristo realmente habita e dirige nossas vidas e corações, acredite, nossos pedidos tem outro propósito e sentido.

Não usamos mais essas palavras de Jesus como vara de condão, nem como palavras mágicas tiradas de livro de bruxaria, aprendendo assim a técnica de arrancar milagres do céu. Não mais “botamos Deus contra a parede” exigindo que, mediante demonstração da nossa fé, nos ajude a passar em concursos públicos, vestibulares, que nos dê rios de dinheiro, nem que cure nossos parentes e amigos de doenças terminais.

Quando as palavras de Jesus abundam em nossos corações, aprendemos a orar como o próprio Jesus: “Pai, acima de tudo, seja feita a tua vontade, e não a minha” (Lc 22.42). Jesus reafirmou o valor de sua relação com Deus pedindo que fosse “feita a Sua vontade, assim na terra, como no céu” (Mt 6.10).

O mais gostoso na vida cristã e depender totalmente de Deus. Saber que Ele cuida de nós. Que esquadrinha nosso futuro (Sl 139). Que nos sustenta (Sl 145.14). Que renova, diariamente, suas misericórdias sobre nossas vidas (Lm 3.22). Que nos ama (Jo 3.16). E que move céus e terra para que não andemos ansiosos por coisa alguma das nossas vidas, como por exemplo, quanto ao que haveremos de comer, beber ou vestir, afinal de contas, Ele sabe que precisamos de todas essas coisas (cf. Mt 6). Devemos buscar conhecer mais o Deus que servimos e que nos salvou. Devemos aprender a depositar nEle nossa confiança, pois Ele tem, de maneira extraordinária e inigualável, “cuidado de nós” (1 Pedro 5.7).

 

Por Leonardo Gonçalves
Quero que você entenda algo, e é que eu sou muito consciente dos meus próprios pecados para apontar o dedo para quem quer que seja, a menos que eu seja movido por uma convicção muito grande.

Mas quando levanto minha voz contra esta teologia asquerosa da prosperidade financeira e do triunfalismo, é porque tenho razoes muito fortes para dizer que esta crença está construída sobre o alicerce errado.

Sim, talvez eu esteja errado.

Talvez eu tenha mesmo aprendido tudo errado, e seja o culpado de pregar um Deus que busca verdadeiros adoradores, ao invés de crentes interesseiros.

É possível (embora pouco provável) que eu seja um péssimo interprete a endossar a teologia de uma minoria arcaica.

Sim, confesso-me defensor de um caminho antigo, de uma senda velha que por ser muito estreita, não pode abarcar a multidão de fiéis devotos, com sua galeria de apóstolos modernos, bispos capitalistas e um panteão de semi-deuses.

Contudo, se eu estiver errado e os modernos pregadores estiverem certos, onde está a prosperidade destas pessoas [assista o vídeo]:

Será que agora você entende?

Será que alguém aqui entende o que eu quero dizer?

1BILHO É de corar o rosto! Enquanto a repercussão da campanha da semente de mil reais do Silas Malafaia ultrapassa os termos da igreja evangélica, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) anuncia uma campanha para distribuir gratuitamente um milhão de bíblias.

De acordo com Silas, seu alvo é alcançar um milhão de almas. E para isso, ele precisaria de um bilhão de reais para montar seu próprio canal de TV e abrir mil igrejas. Pelo menos foi o que noticiou o portal da UOL recentemente. Pouco mais de quatro mil pessoas já teriam aceitado o desafio de ofertarem mil reais. Vale até parcelar a oferta.

Com a faca e o queijo na mão, não duvido que o tal canal de TV sonhado por Silias se torne realidade em pouquíssimo tempo. Além de programas de TV em rede nacional, Silas agora conta com sua própria denominação.

O que você faria com um bilhão de reais para que o Evangelho alcançasse o maior número possível de pessoas?

Será que abrir mil novas igrejas resolveria? Um canal de TV que fosse 100% dedicado à evangelização resolveria?

Ora, o que não falta no Brasil são igrejas em cada esquina e canais de TV ditos evangélicos.

Sinceramente, acho que a iniciativa da CNBB é mais louvável. Quem diria que um órgão católico incentivaria a leitura da Bíblia! Será que eles lá também lançaram algum campanha de mil reais entre os fiéis?

É óbvio que qualquer iniciativa evangelística necessita de recursos. Só acho que esses recursos poderiam ser levantados entre os fiéis internamente, sem que se promovesse alarde nos meios de comunicação. Já está ficando constrangedor para quem ainda se identifica como evangélico tanto pedido de ofertas que se faz pelos programas televisivos. Sacrifícios pra cá, semente pra lá; carnês aqui, faturas bancárias acolá. Já tem até quem peça descaradamente o trízimo.

A igreja primitiva levou dois anos para evangelizar toda a Ásia Menor, e não precisou desta dinheirama toda. Bastou que cada discípulo fosse também uma fiel testemunha do amor de Deus

Hermes Fernandes